Aprenda com as estrelas — mas não como quem deseja tocá-las, e sim como quem aprende a ser iluminado por elas. Há sonhos que não nos pertencem na forma, apenas no sentido. Brilham à distância para nos lembrar que a beleza não precisa ser possuída para ser vivida. O céu não nos pede conquista; pede contemplação. E assim também a brisa suave que nos acaricia Não a detenha. Não a chame de sua. Há movimentos na vida que não foram feitos para repousar em nossas mãos. A brisa sabe de caminhos que ignoramos, carrega histórias que não ouvimos, atravessa destinos que nunca veremos. Ela passa — e, ao passar, ensina que a pressa também pode ser sagrada, quando guiada por um propósito invisível. Talvez a existência seja isso: um diálogo silencioso entre o que permanece e o que parte. As estrelas, fixas no alto, nos convidam ao sonho. A brisa suave, errante e livre, nos convida à entrega. Entre um e outro, estamos nós. Aprendendo que nem tudo foi feito para ficar, nem tudo foi feito para ser alcançado. Algumas coisas foram feitas apenas para nos transformar enquanto passam — ou enquanto permanecem distantes, brilhando, como promessas que não precisam se cumprir para já terem sentido.
(*) Luiz Alberto Silveira
Cadeira 35


